De Marcelo Gleiser no livro Criação imperfeita: cosmo, vida e o código oculto da natureza (Editora Record, 2010)

A ciência é uma construção humana, uma narrativa que criamos para explicar o mundo a nossa volta. As “verdades” que obtemos como a lei da gravidade universal de Newton ou a teoria da relatividade especial de Einstein, apesar de brilhantes, funcionam apenas dentro de certos limites. Sempre existirão fenômenos que não poderão ser explicados por nossas teorias. Novas revoluções científicas irão acontecer. Visões de mundo irão se transformar. Infelizmente, vaidosos que somos, atribuímos peso demais às nossas conquistas. Iludidos pelo nosso sucesso, imaginamos que essas verdades parciais são parte de um grande quebra-cabeça, componentes de uma Verdade Final, esperando para ser desvendada (p. 25).
O primeiro passo é admitir que a ciência tem limites, que a sua prática e os cientistas que a praticam têm limites. A ciência tem que ser humanizada, relacionada com a cultura em que existe. Precisamos confessar nossa surpresa ao nos depararmos com um Universo aparentemente cada vez mais misterioso; precisamos ser mais humildes ao declarar o quanto sabemos sobre o mundo, não nos esquecendo do quanto não sabemos (p. 42).
Este é um pequeno trecho do ótimo livro do Marcelo Gleiser. Resolvi compartilhar neste blog não porque resuma o livro (longe disso), mas porque este blog acabou tratando bastante de ciência (não só o uso da Web 2.0 para a colaboração científica, tema da minha dissertação de mestrado).
No mais, recomendo a leitura deste livro sobre as tentativas da ciência em compreender a origem do universo e a beleza dessa coisa rara, única que é nosso planeta e o ser humano, para o Gleiser (neste livro), “acidentes imperfeitos da criação”.





