ÉTICA E TECNOLOGIA
NEUTRALIDADE (OU NÃO) DA TECNOLOGIA
O tema original desse blog trata da Web 2.0 na comunicação científica, ou seja, na comunicação entre pares (cientistas, pesquisadores) e na publicação de pesquisas (periódicos científicos).
Entretanto, uma ideia leva à outra… De comunicação científica à divulgação científica.
Está acontecendo na blogosfera algo muito interessante. Cientistas vêm explicando e discutindo ciência com a sociedade, por meio de blogs com o uso de de textos, espaços para debates, vídeos, enfim todas essas ferramentas que caracterizam a Web 2.0. Esses cientistas explicam Ciência e abrem o debate para além do ambiente acadêmico. O II EWCLiPo reuniu em Arraial do Cabo, entre 25 e 27 de setembro, cientistas de diversas áreas, em especial das ciências exatas e naturais, além de jornalistas, para debater a blogosfera científica. Um pouco sobre o encontro. no semciencia, blog do Prof. Osame Kinouchi.
De qualquer forma, estamos tratando de ciência e de tecnologia (neste caso, a Web), interatuantes desde a revolução científica. Uma influencia a outra. Um caso exemplar é o impacto do telescópio (uma tecnologia) para a astronomia (uma ciência).
Bunge (1996, p. 40) explica que a tecnologia é “fonte de conhecimentos novos” e sobre a relação entre ciência e tecnologia afirma que “a tecnologia moderna se nutre da ciência, e a ciência moderna depende da tecnologia“.
Por essa razão, me interessa pesquisar a relação entre ciência e tecnologia. Como consequência, me interessei em cursar uma disciplina de Filosofia da Ciência e posteriormente, Filosofia da Tecnologia.
Assim, inauguro alguns posts sobre FILOSOFIA DA TECNOLOGIA.
ÉTICA E TECNOLOGIA:
Ética natural
Baseada na metafísica. Busca a moral na religião. Aristóteles, Tomás de Aquino
Ética deontológica
O homem não precisa da religião para definir regras morais. Mas, se a metafísica, a religião deixa de definir regras, como fica a moral? Segundo Kant, o homem tem a consciência moral. O homem age segundo o dever. Ver “Crítica da Razão Pura” de Kant (download do livro)
“Age de tal maneira que a máxima que guia tua ação, possa servir de lei universal” (Kant)
Imperativo categórico: A moral é incondicional, a moral não pode estar sujeita a condições.
Ética utilitarista
O que orienta a ação é aquilo que traz o bem para o maior número de seres humanos. (Jeremy Bentham; Stuart Mill).
A ética tecnológica (segundo Mitcham) é a ética utilitarista. Isso é o que chamamos de imperativo tecnológico (porquê não fazer?). A filosofia alerta que as questões tecnológicas ou o impulso do imperativo tecnológico precisam ser discutidos.
Jacques Ellul (1963, p. 87) acredita que a sociedade tecnológica “desenvolve um sistema moralmente coerente de imperativos e virtudes que tende a substituir o sistema tradicional. [...] o que está acontecendo é uma substituição de uma moral tradicional que a técnica tornou obsoleta, por uma nova moral tecnológica”.
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NEUTRALIDADE DA TECNOLOGIA
Afinal, a tecnologia é neutra?
Questões:
1. Uma faca é um artefato tecnológico neutro. Se ela será usada para cortar ou para matar não é algo intrínseco à faca, mas ao uso que se faz dela. (neutralidade tecnológica)
2. Um carro é um artefato tecnológico ‘neutro’ usado, por exemplo, para levar a família para passear. Mas um carro poluente pode ser considerado um artefato tecnológico neutro? (relativa neutralidade da tecnologia)
3. A ciência desenvolveu a fissão nuclear, nesse caso específico, pelo “conhecimento em si”¹. Os estudos de Einstein (um pacifista) permitiram a construção da bomba atômica. Não é possível dizer que a bomba atômica é uma tecnologia neutra. Então não se pode dizer que “toda tecnologia” é neutra.
Outra questão: Existe um fenômeno chamado tecnologia ou uma pluralidade de tecnologias?
Se pode falar em “tecnologia” ou devemos falar em “tecnologias”? Me parece que precisamos pensar em tecnologias, ao invés de discutir “a tecnologia”.
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¹Bunge (1980, p. 230) afirma que “a ciência tem tanto valor instrumental como valor intrínseco: queremos conhecer, não apenas agir, mas pelo conhecimento em si. Do contrário seríamos seres humanos, nem ao menos civilizados.”
Mais sobre Filosofia da Tecnologia.
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Referências:
BUNGE, M. La ciencia, su metodo y su filosofía. Santafé de Bogotá: Panamericana Editorial, 1996.
BUNGE, M. Epistemologia: curso de atualização. São Paulo: EDUSP, 1980.
ELLUL, J. The technological Order. In: MITCHAM, C.; MACKEY.R. Philosophy and Technology. NewYork/London: The Free Press, 1983.
MITCHAM C. Thinking trough technolgy. The path between Engineering and Philosophy. London: The University of Chicago Press, 1994.
Anotações das aulas do Prof. Alberto Cupani






Ale, vc esteve em Arraial?
Fiquei curioso: o que seria um blog científico?
As ideias de um pesquisador sobre coisas?
Teria que ser feito por um cientista?
É algo que me inquieta…
Que pensas?
Oi Nepô! Os blogs do ABC (Anel de Blogs Científicos) são blogs voltados para a divulgação científica. São escritos por cientistas e/ou por jornalistas. Lembra que os grandes jornais e revistas, em geral têm uma seção de divulgação científica. A novidade é que essa divulgação, agora, está sendo feita diretamente por cientistas por meio de blogs, além da grande imprensa. Aliás o que dizer da grande imprensa? O que dizer quando um Fantástico vem com uma matéria qualquer e afirma “comprovado cientificamente”… Sem comentários…
O Ewclipo II (o pessoal já está pensando no Ewclipo III) reuniu cientistas, jornalistas e blogueiros. O meu caso: ciência e web 2.0 é meu tema de pesquisa. Eu fui ao encontro como ouvinte e vou entrevistar para a tese, alguns dos cientistas que estavam lá.
Você pode conversar com o Osame Knouchi, te mando o e-mail dele (por e-mail). Acho que você teria muitíssimo a contribuir! O ABC tem blogs das ciências sociais também. Além do mais, você é blogueiro e um tremendo comunicador!
Bjs
Oi Ale! Vc me mandou seu email? Eu queria te dar um forward de um email que a Suzana Herculano me mandou, com sugestões dela para tornar o livro mais publicável…
Acho interessante essa relação ciência tecnologia. De certa forma, não há como compreender a tecnologia sem sociedade, tampouco, sem ciência. Exponho no entanto minha visão como um ser leigo, não tão cientifico. Particularmente acho tão dogmático essa histórida de dividir as coisas, de pensar a tecnologia como algo que transforma os seres humanos em “cyborgs”. Se pensarmos mais nisso como um processo evolutivo da sociedade e não a parte, seria mais fácil, menos polêmico talvez?. De fato nos tornamos sim, seres mais tecnológicos e com maiores possibilidades, e me questiono: É tão ruim assim poder fazer o que não podia antes, sem tantas limitações. Poder me comunicar rapidamente com uma pessoa do outro lado do mundo,? Não aguardar por uma carta por dias? Poder efetuar compras online? Ter a possibilidade de ver os gastos públicos de maneira simples e prática? Em um sentido prático um pouco bohêmio, Mário Quintana disse “Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.” Ou ainda, pensar na fala de Mumford, que afirma que a “tecnologia ensinou algo a humanidade, nada é impossível”. Não sei se impossível, mas no mínimo, viavel ou com menos limitações. Se antes tinhamos escribas, copistas para “copiar” e por conseguinte, disseminar informação, hoje temos a web que possibilita essa disseminação em massa… Perdi metade do post, porque o browser travou, coisas da tecnologia, se não gostar pode apagar.
Ah lembrei de algo, tudo em excesso faz mal, inclusive água!
Thais, será que estou deixando a ideia de que a tecnologia é “má” em si mesma? Espero que não… Eu estaria perdida!
Como você bem sabe, sou absolutamente dependente de tecnologia!!!
Mas há algo mais poderoso que a tecnologia: a nossa capacidade de pensar.
Justamente por isso não nos tornamos cyborgs. Podemos criar tecnologia, viver com tecnologia (ou não viver sem tecnologia), mas também pensar a tecnologia.
Essa é a função da filosofia!
Precisamos da ciência, precisamos da tecnologia, precisamos da filosofia, porque, querendo ou não, também não conseguimos, como seres pensantes que somos, deixar de exercitar o pensamento.
Espero que seu browser e seu Linux deixem você ler o resto do post.
Beijos, Ale
Desculpe me “intrometer” na discussão. Mas achei genial tuas colocações com relação a neutralidade da tecnologia.
Estou conhecendo, aos poucos, os teus posts.
Oi Lucas! Por favor, fique à vontade para se “intrometer”!
O bacana de um blog é isso mesmo, a participação de quem se interessar pelo tema.
Obrigada pela visita!
Um abraço, Alessandra