Informação em saúde:
A blogosfera científica e a interpretação correta de informações manipuladas: Mentiras estatísticas por Osame Kinouchi (20/10/2009)
Cobertura da Gripe A H1N1 no ScienceBlogs Brasil: Raio-X. Mais no SemCiência
O que penso a respeito das medidas tomadas pelo Ministério da Saúde:
O Ministério da Saúde justifica a decisão afirmando que quer evitar o uso indiscriminado do antiviral. Essa não é uma explicação razoável, pois um possível uso indiscriminado de Tamiflu, se combate com campanhas informativas, tanto para o público leigo quanto para os médicos do sistema privado, responsáveis por emitir uma receita, sem a qual o medicamento não poderia ser comprado.
Seria ótimo que o Sistema Público de Saúde concentrasse os cuidados em relação à epidemia, bem como em relação à saúde de todo brasileiro. Só que o Sistema Público de Saúde no Brasil, não consegue atender à população que dele depende, nem em situações normais, quem dirá em uma situação de alerta.
Por isso, considero uma medida “pouco inteligente” e autoritária, a decisão de “guardar o Tamiflu no cofre” do governo.
Sou mãe e me preocupo por meus filhos e por tantos jovens que frequentam escola e universidade e não têm como evitar ambientes de aglomeração, como aconselha o Ministério da Saúde, bem como a OMS.
Na interpretação de muitos, o Ministério da Saúde está dificultando o acesso ao tratamento da doença. Em caso de confirmação clínica da gripe suína, o Tamiflu deve ser administrado nas primeiras 48 horas seguintes à manifestação dos primeiros sintomas. O fato de haver barreiras (como mostra a notícia que transcrevo ao final) para adquirir o medicamento, não estaria matando pessoas que teriam um desenvolvimento normal da doença, caso fossem devidamente tratadas nas primeiras 48 horas?
Também questiono alguns dados (números mal interpretados levam a conclusões erradas). O Ministério da Saúde informa que no Brasil, essa gripe mata tanto quanto as gripes comuns.
Em números absolutos pode ser, mas a gripe comum mata pessoas debilitadas, com idade avançada, pessoas subnutridas ou sem acesso à médicos e hospitais.
Os casos de morte por gripe suína que estão aparecendo, são de pessoas jovens, saudáveis, moradoras dos grandes centros e com acesso à saúde pública e/ou particular. Acredito que nos locais menos assistidos do Brasil podem haver casos que nem chegam a ser identificados. Os excluídos de sempre podem estar sendo excluídos também das estatísticas.
Transcrição de notícia na Folha de São Paulo de 15/08/2009, e comentários:
Jovem de SC obtém decisão na Justiça para receber Tamiflu
Um juiz da 2ª Vara Cível de Indaial (SC) concedeu anteontem uma liminar para que um adolescente de 15 anos, com suspeita de gripe suína, tenha acesso ao Tamiflu.
O remédio foi receitado por um médico particular, mas a mãe do garoto não o conseguiu em um posto de saúde.
Segundo a Secretaria da Saúde da cidade, a receita médica não obedecia às especificações previstas no protocolo do Ministério da Saúde de informar a dosagem, o tempo de uso e o motivo da indicação.
A secretaria alega ainda que o quadro do adolescente não correspondia ao previsto no protocolo para a aplicação do Tamiflu, já que ele não está em nenhum grupo de risco e não apresentava síndrome respiratória aguda grave.
A mãe do garoto foi orientada pela prefeitura a buscar nova avaliação médica.
(COMENTÁRIO MEU: Nesse ponto, já imagino o desespero da mãe. Enquanto profissionais de saúde analisavam requisitos de protocolos e a mandavam de um lugar a outro, seu filho estava em casa com febrão, sem tratamento para uma doença que vem matando. Quase 280 casos entre abril e agosto não é pouco. Não são números, são vidas!)
A mulher, que não quis gravar entrevista, entrou na Justiça anteontem, depois de o garoto apresentar os primeiros sintomas da gripe. (Parabéns a essa mãe!)
No mesmo dia, uma decisão liminar obrigou a prefeitura a fornecer o remédio, sob pena de multa de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento. (Parabéns ao juiz!) A prefeitura afirma que não vai recorrer da decisão.
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