
Tiranossáurico: Tela do Lotus 123, software para o qual já fui instrutora!
Essa merece registro:

Com algo assim começamos
Meu filho, Gustavo, perguntou por SMS pro Calu (Carlos Ruchaud), meu ex-marido (que está viajando), quando compramos nosso primeiro micro. Ele SÓ perguntou isso, mas como sempre, a resposta do Calu, foi enciclopédica (e olha que foi por SMS também).
Transcrição literal da mensagem para o celular do Gustavo:
1991. Era um AT286 com 1MB de RAM e um HD de 40Mb (que com um compactador chamado Stacker, subia pra 78Mb!).
Rodava DOS 6.02, tinha um drive de disquete 5 polegadas com capacidade de 1.2Mb. O monitor era monocromático de fósforo branco (era preto e branco, e não verde) e não tinha modem nem impressora. Usávamos o Lotus 123 como planilha eletrônica, o Carta Certa III como editor de texto e o DBase III Plus como banco de dados…
O Chompo usava outro editor de texto, o Wordstar, que ele chamava de “escrevo”, onde aprendeu a ler e escrever.
A segunda máquina já foi na Domingues de Sá, um 386 DX 40 com Windows 3.11 e monitor colorido, no qual eu mesmo instalei o kit multimídia que comprei no Chile, além da placa modem (que eu também instalei e configurei manualmente), permitindo à tua mãe ser uma das primeiras usuárias da Internet no Brasil, através do provedor Alternex. Foi nessa máquina que você começou.
Pai
Calu, obrigada, jamais seria capaz de lembrar de todos esses detalhes!

Em 1995, eles já brincavam com nosso segundo computador, o AT 386..
Esses meninos da foto, meus filhos Guilherme e Gustavo na frente de um “super” 386 DX 40 com windows 3.11, estão, hoje com 20 e 18 anos, respectivamente. Cresceram usando computadores.
O Guilherme (o Chompo, como o pai o chama) aprendeu a ler e escrever aos quatro anos, com o “Wordstar” que ele chamava de “escrevo”. Ele apertava uma tecla e me perguntava que letra era aquela que brilhava na telinha preta. Depois começou a construir sílabas e palavras e assim foi… Continuou sua auto-alfabetização com as revistinhas do Maurício de Souza e ainda ensinou o amigo Emir (o do meio na foto) a ler.
Fui chamada na escolinha (um jardim de infância) por conta disso, mas entendemos que devíamos deixá-los soltos e levar com naturalidade seu autodidatismo movido pela curiosidade em entender as palavras formadas pelas letrinhas brilhantes na tela preta do monitor.
Por essa e outras, nossa casa é uma casa de geeks! Ou uma “cabana digital” nas palavras do Alvin Tofler.
Quanto a ter sido uma das primeiras usuárias da internet, o Calu se refere ao fato de ter sido uma das primeiras usuárias da internet comercial por meio do Alternex. A Embratel tinha iniciado o serviço de prover acesso comercial à Internet, mas o o Ministério das Comunicações vetou a Embratel como provedora de acesso, a fim de impedir que a Internet no Brasil se transformasse em monopólio estatal. Desde sempre, o ideal da Internet é a liberdade.
Não conseguindo acesso pela Embratel recorri à “fila” de interessados em obter uma conta de acesso no Alternex a fim de me conectar à rede por meio do “winsock”. Meu primeiro e-mail foi alessandra@alternex.org.br (ou alessandra@ax.apc.org). Na mesma época tomei as providências para ligar a Vision à Internet, consultoria para a qual trabalhava. O primeiro e-mail deles foi vision@alternex.org.br e a consultoria, (ou como a chamavam seus idealizadore, Geraldo Fereira e Eugênio do Carvalhal) a “rede de consultores” Vision também foi uma das primeiras a entrar na “rede” no Brasil. Não suficiente, me pediram que construísse um site para a Vision. E lá fui eu, fazer curso de “construção de páginas” no Alternex. Mais tarde esse curso me valeu alguns trabalhos como webdesigner (na época em que isso era coisa pra especialista)…
Mas, bem antes disso tudo, eu já usava BBS. Ali já estavam presentes os ideais colaborativos que hoje se atribui à web 2.0. A Web 2.0 é apenas um retorno aos ideais que fazem parte da própria concepção da internet e da www por Tim Berners Lee.
Assim, relatei brevemente minha história de “vida digital”, o que explica meu interesse na pesquisa a que me proponho no mestrado: a Web 2.0. (o seu uso por pesquisadores da Ciência da Informação)
E para finalizar, me sinto um pouco na obrigação de relacionar alguns links que falam mais da história da Internet no Brasil, ou simplesmente da história da Internet:
Caprichadíssima linha do tempo do Alex Primo
Internet em 1996! Quem lembra disso?
Sensacional: OldVersion. Página com relação de softwares antigos (com direito a download). Veja bem: “antigo” é coisa de menos de 20 anos. Link twitado pela Cora Ronai.







22/06/2009 às 17:07 |
Sem contar que meu pai é aficcionado com Star Wars e nos repassou essa paixão
ISSO é ser geek!
22/06/2009 às 18:39 |
Adorei a imagem. Aproveitei e já salvei a foto no meu HD. Posso ser suspeito, mas acho meus filhos o máximo!
23/06/2009 às 23:06 |
mas eu SOU o máximo :0
assistia a meu pai jogando aqueles joguinhos que cabiam em disquetes, e agora bai– digo, adquiro uns que só caberiam em 460 disquetes…
na verdade evoluiu tudo muito rápido ._.
e com isso a liberdade que a internet propunha… aliás, uma que acredito nunca ter sido prevista nos anos de infância dessa…
24/06/2009 às 11:03 |
Alessandra,
Obrigado por compartilhar essa história familiar. E parabéns pela firmeza de deixar a gurizada solta.
Eu não lembro de ser admoestado por alfabetizar (inconscientemente) meu irmão Daniel (e foi pior – de trás-pra-frente e “ponta-cabeça”, já que ele sentava do outro lado da mesinha). Mas lembro, não esqueço, não tem como esquecer… que a profe da 1a série pediu para escrever os nomes de 5 animais selvagens.
Movido pela leitura apaixonada de “Os bichos” (Abril), que meus pais ou tios ou… me deram, tasquei: Ocapi, Facócero, Pangolim, Tetraz e Feneco. A professora pegou a folha, leu em voz alta e sentenciou: “Isso não existe” – ao que calmamente respondi com uma folhinha escrita “Girafa, Leão, Chimpanzé, Elefante, Hiena” (ou algo assim). É isso. Somos todos sobreviventes da maior e mais eficiente máquina destruidora de inteligências do mundo: o sistema “educacional” brasileiro. Segundo Feynman (o Nobel que viveu entre nós e foi simpaticíssimo, exceto quanto à educação e à irresponsabilidade), nenhuma inteligência sobrevive (na dúvida, é só ler “O americano, outra vez!” – http://tr.im/pAqR).
Virei professor… Por que será?
30/06/2009 às 23:15 |
Suspeita a falar, mas sou fascinada por família, e teu post me chamou a atenção. Lembrei que quanto era pequena, por ser dois anos mais velha que meu irmao, no processo de alfabetização na escola ele vinha sempre curioso para saber o que eu estava fazendo, etc resumindo, entrou no pré primário sabendo a ler. Depois sobre o Lótus, ontem comentavamos como o IBM era uma máquina boa, no sentido que possuía tantos aplicativos para crianças, infelizmente tenho uma péssima memória para detalhes mínimos, mas eu lembreo que tinha um programa de teatro que eu passava horasssssssssss fazendo minhas peças etc, o jogo do aquário enfim eu amava. Também adorava ser uma das poucas na escola que tinha lotus heheheheh O que não mudou muito para atualmente com meu linux, 3 anos usando e adoro amo não troco por nada !
Bom finalizo meu post super sem nexo com acelebre epigrafe de lewis mumford:
a tecnologia ensinou algo a humanidade, nada é impossível.
Adorei o vida digital, muito legal mesmo!
01/07/2009 às 20:54 |
então eu acho que era esse o programinha, mas eu não embro de colocar o cd, tinha que colocar é??? hahuauhuhahuhua enfim eu mava tinha vários joguinhos legais eu fazia muita coisa naquele pc, e eu amava que a cpu era deitada, vocÊ lembra disso? ocupavaaa bem menos espaço, jeeheheh enfim agora com o netbook uma cpu deitada é inauspiciosa!!! bem legal a história de vocÊs adorei. eu lembro que minha mãe fazia as coisas com comandos, nossa não tinha nem “ç” no teclado. que evolução.
16/07/2009 às 10:11 |
Alessandra,
Ótimo blog. Parabéns pelo trabalho. Assim como você sou entusiasta das novas tecnologias e das redes sociais. Passarei a visitar este espaço com frequência. Abraços!
20/07/2009 às 19:36 |
Então, fico esperando seu blog!
Bjs e obrigada pela visita.
22/06/2009 às 18:59 |
Que coincidência, também acho “seus” filhos, o máximo!!!
28/06/2009 às 23:07 |
Prof. Vinícius,
Em primeiro lugar, ótima a história dos bichos que a professora desconhecia e, portanto, não existiam!!
E será que Feynman sabia que, para entrar na universidade, aqueles físicos brasileiros tiveram que começar por uma prova baseada em decoreba, o vestibular?
O que faz alguém aprender é a curiosidade. A escola tem que estimular a curiosidade e a descoberta. É quase clichê, todo cidadão, todo político, todo pedagogo diz as mesmas coisas. Mas por que não se faz?
Muitas vezes fui obrigada a concordar com meus filhos (altamente conectados) que a escola é chata, é maçante sim. Complementamos a escola, em casa.
Mas não me sinto bem em falar dos problemas da educação no Brasil, tendo acesso à boas escolas e conseqüentemente, a boas universidades. O que falar da escola pública atual? Não caberia aqui, nem chega perto do que merece qualquer brasileirinho.
Também espero vir a ser uma boa professora…
Obrigada pelos comentários!
01/07/2009 às 15:42 |
Tinha um programa chamado Cine Mágico, que minha mãe me deu quando eu era pequeno (meu primeiro programa em CD), que era de gravar filmes, tinha umas animações, e tal… Não vinha com o computador, mas você ter falado desse de teatro me lembrou o Cine Mágico.
01/07/2009 às 16:11 |
Legal, Tha! Já imaginava isso de você… Que tivesse começado cedo sua vida digital, isso pra não te chamar de nerd…

Não é à toa que nossos temas de pesquisa são tão afins!! E não à toa que seu orientador tenha sido o Angel…
Bjs, Ale