UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DA PRODUÇÃO
Tese: MODELO PARA GESTÃO DE PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS
COM FOCO NA PROMOÇÃO DA VISIBILIDADE.
Autora: CLÁUDIA REGINA ZILIOTTO BOMFÁ
Orientador: ANTONIO CEZAR BORNIA, DR.
A tese de doutorado em Engenharia da Produção defendida em 22/05/2009 na UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, se embasou em conhecimentos das áreas de Engenharia da produção/Administração (Marketing) e da Ciência da Informação (Comunicação Científica).
A banca observou que a aluna foi brilhante em fazer conversar diversas áreas, no que concordo plenamente. A discussão durante a defesa ilustrou a interlocução entre essas áreas. Compartilho em breves notas, os pontos que me chamaram atenção e que anotei durante a defesa. Sim, a tese foi aprovada e espero, em breve, poder linká-la (15/11/2009: a tese está linkada no final desse post).
O modelo que a doutoranda apresentou é resultado de anos de pesquisa junto ao periódico científico da Engenharia da Produção, Revista Produção online. A seguir, as contribuições da banca:
Na banca, a Profª Drª Lídia de Jesus Oliveira Loureiro da Silva da Universidade de Aveiro – Portugal questionou a razão de o modelo e/ou o períódico não incorporar/prever o uso de “folksonomias”, recursos da “web 2.0” e “customização” de perfis dos usuários. Abordou uma possível “mudança de paradigmas” na comunicação científica como vêm ocorrendo em outras áreas devido ao uso de novas tecnologias. A doutoranda respondeu que essas ferramentas não fazem parte do modelo, porém foram pensadas e discutidas na tese em “Tendências”. A Profª Lidia defendeu também que os trabalhos científicos de brasileiros e portugueses publicados em inglês sejam apresentados também na versão em português. Outros integrantes da banca discutiram essa última questão, lembrando que a publicação somente no idioma inglês é um fator excludente. Citou-se, como ilustração, uma enfermeira que precisasse usar um determinado procedimento novo publicado em um idioma ao qual não tem domínio. Nesse caso hipotético, não só a enfermeira, mas pacientes estariam excluídos dos benefícios dos resultados de uma pesquisa científica.
Também na banca, a Profª Drª Patricia Marchiori, do Departamento de Ciência e Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná, questionou o uso do Google e dos números do PageRank para medir a visibilidade de um periódico cientifico no modelo proposto pela doutoranda. Questionou ainda, a presença em destaque do Google no modelo proposto na tese, observando que o Google não “é toda informação”. Lembrou que o Google não é um instrumento bibliométrico, não sendo o medidor mais adequado para a visibilidade científica. Observou que a “academia treme” quando há confusão entre o que é “popular” e o que é “qualidade”. E reconheceu que a comunicação científica é um campo de estudo que exige conhecimento aprofundado.
A Profª Drª Ursula Blattman contribuiu com observações a respeito da “forma”, sugerindo uma melhor organização do conteúdo.
Ao final, os orientadores fizeram suas considerações enfocando a contribuição social do conhecimento produzido na universidade.
O orientador, Prof. Dr. Antonio Cezar Bornia do Departamento de Engenharia da Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, explicou que o maior número de consultas à Revista Produção online vem da “classe empresarial”, justificando a necessidade de a universidade divulgar e dar visibilidade de sua produção a outros setores que não o acadêmico “para além dos muros da universidade”. Comentou que “a comunidade científica é conservadora” e como tal, os “avanços demoram a acontecer”. Salientou que “rigor científico” não é o mesmo que “rigor das estruturas” da universidade.
Lembrando que é cearense e conhecendo (e reconhecendo) a diversidade da realidade brasileira, a orientadora, Profª Drª Maria do Carmo Duarte Freitas, professora no Departamento de Ciências e Gestão da Informação na Universidade Federal do Paraná, enfatizou que a decisão do modelo apresentado sugerir o uso do PageRanke do Google, se deve à preocupação com a visibilidade da produção científica, não só para a academia, ou entre os pares da área científica, mas também e, principalmente para a sociedade: “Se o Google é o mais consultado pela população, queremos que a Revista Produção online e a produção acadêmica em geral esteja no topo dos resultados da pesquisa no Google”. E acrescentou: o conhecimento gerado na universidade pública não pode ser “empacotados em repositórios”, muitas vezes, pagos. Se a sociedade paga para manter a pesquisa na universidade pública, o conhecimento produzido na universidade precisa “chegar à população”.
Ao final, em comentário informal, a Profª Patricia Marchiori e a Profª Maria do Carmo, brincaram que a discussão é complexa e rica e mereceria continuação, ainda que com um café no frio de Curitiba.
Parabéns à Claudia Bomfá, aos seus orientadores e à banca!







25/05/2009 às 09:27 |
[...] [Update - 25/05/2009] : Foi-me enviado hoje pela manhã, por e-mail, o link pro blog da minha colega Alessandra Galdo, onde ela fez um post com anotações sobre a defesa da tese. [...]
28/05/2009 às 12:20 |
Parabéns pela lúcida anotação das idéias defendidas na tese. Realmente o trabalho contará por si a que veio e a esperança da ciência popularizar-se permanece. Que nosso textos começem a fluir como os blogs na web. Estes por sua vez me lembram das conversas acaloradas trocadas entre amigos. Abs. Maria do Carmo (UFPR)
29/05/2009 às 19:54 |
Profa. Maria do Carmo, obrigada por seus comentários!
Lembro Robert Merton, quando defende que “o saber científico é patrimônio comum dos seres humanos.” Aqui, um artigo de um professor que gosto muito sobre o ethos na ciência. Nesse sentido, a tese da Claudia é interessantíssima ao propor um modelo para dar maior visibilidade (visibilidade, ponto) à produção acadêmica publicada em periódicos científicos.
Abs, Alessandra