Editoras, inovar é preciso!

Opa, o que faço agora, Donald?

Opa, o que faço agora, Donald?

Artigo publicado no periódico DataGramaZero em outubro de 2008:

Fonte: ARAUJO, T. S. ; GALDO, Alessandra ; ARDIGO, J.D. . Conteúdos Digitais de Livros na Sociedade do Conhecimento. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação. Rio de Janeiro, v. 9, p. 05, 2008.

Conteúdos Digitais de Livros na Sociedade do Conhecimento.

Resumo do artigo:

“Este artigo tem como objetivo analisar a contradição aparente entre os interesses da sociedade em relação à democratização da informação diante dos interesses do setor editorial de livros e sua (in) adequação à realidade tecnológica dos conteúdos digitais. Aborda quais as implicações das tecnologias de informação e comunicação para este setor e para o usuário de informações de livros técnicos e científicos. Faz-se um levantamento do contexto da economia digital e uma abordagem reflexiva a respeito das necessidades de acesso flexível e democrático à informação. Aborda-se a questão dos livros e dos conteúdos digitais assim como outras questões envolvidas na situação de impasse na qual se encontra o setor editorial no contexto apresentado. Conclui-se que há necessidade e possibilidade de adequação dos produtos informacionais editoriais aos interesses da sociedade no acesso à informação.”

(…)

E a polêmica continua…

Matéria jornalística da Elis Monteiro no Globo Tecnologia. Link abaixo (O Globo não permite copiar e colar o conteúdo de suas matérias): Associações de editoras no Brasil e EUA tentam lutar contra o download de livros

O artigo publicado na DataGramaZero em outubro de 2008 analisa uma das inovações anunciadas posteriormente na matéria do Globo:

“Poder-se-ia concluir, então, que as companhias editoriais não reconhecem a economia digital? Paradoxalmente, uma indústria cujo produto é a informação parece não estar pronta para a Sociedade da Informação. A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, entidade declarada como fiscalizadora e repressora da reprodução ilegal de livros, anuncia em seu portal uma ferramenta denominada “Pasta do Professor” que permitiria a compra do livro fracionado, porém a plataforma anunciada é restrita às instituições de ensino que aceitem se cadastrar ao sistema e ofereçam pontos de venda com copiadoras credenciadas pela Associação.”

A plataforma relatada na matéria do Globo é válida, no sentido de que é, ao menos, uma busca de inovação! Mas o artigo publicado no periódico científico, DataGramaZero de out. de 2008, conclui que o sistema anunciado é restritivo por estar disponível a apenas algumas (talvez poucas) instituições educacionais que queiram – ou possam – fazer a parceria com editoras determinadas.

Ora, hoje, nenhuma plataforma é mais acessível que a Internet. Assim, o artigo conclui entre outras questões:

“O conceito de propriedade intelectual vem sendo questionado. [...] As necessidades e expectativas do usuário da informação se manifestam nos movimentos livres da era tecnológica alavancados pelo movimento do software livre. Os fundamentos desse ideal se estendem a outras obras de criação intelectual. O movimento se estrutura com a criação da Free Software Foundation , FSF (Fundação para o Software Livre) e se fundamenta juridicamente através da GNU General Public License ou GPL (Licença Pública Geral do GNU). As novas licenças que garantem o direito de distribuir e modificar livremente as obras intelectuais são chamadas de “copyleft”, numa crítica às licenças tradicionais de “copyright” que ao contemplar o “direito de cópia” garantem tão somente o monopólio do direito de reprodução das obras intelectuais.

Tais discussões evidenciam conflito entre os interesses da sociedade e os interesses comerciais na produção do livro. Uma análise econômica do produto editorial aponta para a necessidade de reposicionamento mercadológico do setor editorial no sentido de uma nova postura frente à realidade tecnológica atual dos conteúdos digitais e às necessidades e expectativas do usuário da informação no contexto da Sociedade do Conhecimento.”   Integra do artigo

PS: O tema vem sendo discutido em vários fóruns, sendo um deles, a Internet, no que diz respeito ao acesso livre à informação e em artigos e livros. Ver referências ao final do artigo.

Estudo da Deloitte para o Brasil: As empresas de mídia conseguirão sobreviver na era digital? (jun. 2009)

Matéria na revista Serrote: O Google e o futuro dos livros. (ago. 2009)

Editoras, inovar é preciso!

3 respostas para Editoras, inovar é preciso!

  1. Sou escritora, lancei meu primeiro livro:”Eu posso ser feliz!”
    É pra se refletir sobre o assunto. Sou professora de português e já percebi que meus alunos só lêem sob muita motivação. E tem que ser algo dinâmico, por exemplo, peço para interpretarem os contos ou crônicas que lemos. Não têm paciência de ler livros imensos- posso esquecer que não lêem mesmo. E não gastam dinheiro comprando livros, pois só querem comprar produtos tecnológicos ( “os mpTudo”).
    TEMOS que inovar. Acho que deveríamos ampliar as discussões e trocar mais ideias de como “vender” nossas ideias, já que precisamos sobreviver e não dá pra fazer trabalho voluntário o tempo todo. Fiz um investimento alto e preciso conseguir o retorno. Vocês compreendem o que estou querendo dizer???

    Um abraço a todos!

    Wilma de Oliveira

  2. AleGaldo disse:

    Oi Wilma!

    Apesar das dificuldades de leitura que você relata observar em seus alunos, eu, particularmente, acredito, que sempre haverá espaço para o livro tradicional (com cheiro de livro, com folhas que a gente manipula). O livro é um bem simbólico na nossa formação, na formação da sociedade ocidental!

    Não há porque afirmar que o livro impresso deixará de existir. Mas, é evidente que os formatos digitais terão cada vez maior espaço e isso afetará o mercado editorial. O livro em formato digital pode ser muito mais barato para o consumidor, tornando o conteúdo do livro acessível a um número maior de pessoas. Isso porque a cadeia de produção de um livro no formato impresso é maior do que a cadeia de produção do conteúdo digital. Eliminando etapas de um processo, eliminam-se custos.

    Isso assusta muitas editoras, mas a questão principal é não se colocar contra um fenômeno irreversível e benéfico para a maioria dos leitores. É preciso inovar, criando alternativas digitais para o livro impresso.

    Sobre a questão prática que você colocou (pelo que entendi, recuperar um investimento feito na publicação do seu livro), o seu editor ou você pode fazer o que sempre foi feito: divulgação e marketing. Mas o que sempre foi feito, pode ser feito de forma diferente: essa divulgação pode incluir as ferramentas da denominada web 2.0 (redes sociais, twitter, blogs…).

    Essas ferramentas permitem interação direta entre o leitor e o autor. Grande parte dos autores que leio no mestrado possuem blogs, mandam informações via Twitter. Se antes o livro era estático e unidirecional, ou seja, o autor escrevia e o leitor lia, hoje, essa interação pode ser bidirecional. O leitor pode colaborar com o autor, trocar idéias, fazer perguntas.

    Voltando à falta de interesse nos livros, por parte dos seus alunos. E se eles pudessem interagir com as histórias que lêem ou com o autor? Ficariam mais estimulados?

    Tudo isso é uma grande mudança? Sem dúvida! E eu acho que pra melhor!

    Felicidades, Alessandra

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