De Marcelo Gleiser no livro Criação imperfeita: cosmo, vida e o código oculto da natureza (Editora Record, 2010)
A ciência é uma construção humana, uma narrativa que criamos para explicar o mundo a nossa volta. As “verdades” que obtemos como a lei da gravidade universal de Newton ou a teoria da relatividade especial de Einstein, apesar de brilhantes, funcionam apenas dentro de certos limites. Sempre existirão fenômenos que não poderão ser explicados por nossas teorias. Novas revoluções científicas irão acontecer. Visões de mundo irão se transformar. Infelizmente, vaidosos que somos, atribuímos peso demais às nossas conquistas. Iludidos pelo nosso sucesso, imaginamos que essas verdades parciais são parte de um grande quebra-cabeça, componentes de uma Verdade Final, esperando para ser desvendada (p. 25).
O primeiro passo é admitir que a ciência tem limites, que a sua prática e os cientistas que a praticam têm limites. A ciência tem que ser humanizada, relacionada com a cultura em que existe. Precisamos confessar nossa surpresa ao nos depararmos com um Universo aparentemente cada vez mais misterioso; precisamos ser mais humildes ao declarar o quanto sabemos sobre o mundo, não nos esquecendo do quanto não sabemos (p. 42).
Este é um pequeno trecho do ótimo livro do Marcelo Gleiser. Resolvi compartilhar neste blog não porque resuma o livro (longe disso), mas porque este blog acabou tratando bastante de ciência (não só o uso da Web 2.0 para a colaboração científica, tema da minha dissertação de mestrado).
No mais, recomendo a leitura deste livro sobre as tentativas da ciência em compreender a origem do universo e a beleza dessa coisa rara, única que é nosso planeta e o ser humano, para o Gleiser (neste livro), “acidentes imperfeitos da criação”.
Compartilho (na íntegra) matéria lúcida de Renato Mezan no caderno “mais!” da Folha de São Paulo do dia 09 de maio de 2010. +(s)ociedade
O fetiche de quantidade
Metas de produtividade e burocracia acadêmica diminuem o potencial de pesquisas científicas
A criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil
RENATO MEZAN
COLUNISTA DA FOLHA
A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado o trabalho dos professores. O grande número de pessoas envolvidas nos diversos níveis de ensino, assim como o de artigos e livros que materializam resultados de pesquisa, tem determinado uma preferência por medidas quantitativas.
Se estas podem trazer informações úteis como dado parcial para comparar resultados de escolas em vestibulares ou o desempenho médio de alunos em determinada matéria, sua aplicação como único critério de “produtividade” na pós-graduação vem gerando -a meu ver, pelo menos- distorções bastante sérias.
Não é meu intuito recusar, em princípio, a avaliação externa, que considero útil e necessária. Gostaria apenas de lembrar que a criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil. Tampouco me parece correta a fetichização da forma “artigo em revista” em detrimento de textos de maior fôlego, para cuja elaboração, às vezes, são necessários anos de trabalho paciente.
Reproduzo aqui notícia postada pelo Prof. Aldo Barreto em seu blog.
E-Ciência nas Bibliotecas de Pesquisa
“A agência norte-americana National Science Foundation, divulga que a colaboração entre cientistas em época da Web 2.0 nunca foi tão forte. Essa tendência parece ser maior na União Europeia. A metade dos artigos científicos produzidos pelos países do bloco foi em coautorias internacionais.
A Europa teve uma política científica voltada para o estímulo e integração de seus cientistas. O fenômeno está espalhado pelo mundo inteiro e permeia todas as disciplinas apontam os especialista em cienciometria.”
Dissertação de mestrado defendida em 01/03/2010 e aprovada com conceito A.
Compartilho a apresentação da defesa e informações que possam interessar aos mestrandos, aos colegas da CI e a todos que se interessem pelo tema da Web 2.0, mais especificamente na colaboração científica.
Minha gratidão aos professores de mestrado e doutorado em Ciência da Informação que, generosamente, colaboraram respondendo à pesquisa.
Agradeço ao Professor Aldo Barreto, Professora Ursula Blattmann e Professor Francisco das Chagas por terem aceito participar da banca examinadora.
Aos parceiros de academia e amigos com quem troquei pontos de vista por meio da Web 2.0, como blogs, Twitter, e-mail ou mesmo pessoalmente. Ao Carlos Nepomuceno, Moreno Barros, Fabiano Caruso, Rafaela Lunardi Comarella entre tantos outros. Não há como nomear a todos, mas a colaboração generosa dessas pessoas faz parte das ideias desenvolvidas neste trabalho.
E continuo na academia, agora cursando o doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento na UFSC. O que prova que cursar o mestrado e defender a dissertação “nem doeu” …
A primeira coisa sobre a Web 2.0: A Web 2.0 é uma atitude (an atittude, not a technology), como afirma O’Reilly. É isso que estou fazendo agora: estou compartilhando meu trabalho, pensamentos e ideias, abrindo o tema para você acrescentar seu conhecimento, fazer perguntas, discordar, construir em colaboração, remixar minhas ideias e informações (veja a licensa Creative Commons), compartilhar, acrescentar. (reparou naquele espacinho pra comentários, lá embaixo?)
WEB X WEB 2.0
Fonte: Adaptado de COZI, 2007
Ilustração: Guilherme Galdo Ruchaud
IDEAIS DA WEB 2.0
A Web como plataforma;
Informação controlada pelo usuário;
Ferramentas no formato de serviços Web ao invés de softwares proprietário;
Arquitetura participativa;
Rentabilidade de escala, o que significa nenhum custo para o usuário, na medida em que empresas anunciantes patrocinam o serviço, remunerado pela quantidade de vezes em que o consumidor “clica” em seus banners, ou efetivam uma compra;
Informações e dados (textos, imagens, vídeos) com permissões de livre distribuição ou modificação, segundo critérios definidos pelo autor;
Aplicações não limitadas a um determinado sistema operacional ou hardware;
Aproveitamento da inteligência coletiva.
Fonte: Adaptado de O’Reilly (2005, p. 1).
FERRAMENTAS WEB 2.0
FERRAMENTAS WEB 2.0
FERRAMENTA
DEFINIÇÃO
Weblogs
Ferramenta para publicação de informações, opiniões e ideias, com espaços para comentários de outros usuários da Internet. Somam o poder noticiador dos grupos de discussão às informações organizadas nas páginas web (ANTOUN, 2008). Os weblogs ou blogs são personalizados pelo autor/autores e podem conter textos, imagens, vídeos, ferramentas de busca, links para outros blogs, estatísticas de acesso, “nuvem detags”, entre outros recursos.
Wikis
Ambiente em que cada usuário redige e comenta um determinado termo acessível a todos os outros, que o lêem, e podem também contribuir com alterações. (CAVALCANTI; NEPOMUCENO, 2007, p. 24). Os wikispermitem a criação coletiva de conteúdo na web e possuem formas de regulação da produção da coletividade (PRIMO, 2008a) O exemplo mais conhecido é a Wikipédia. Ferramentas wiki têm um grande potencial para a construção colaborativa de trabalhos acadêmicos.
Sites de Redes Sociais
Site que foca a publicização da rede social dos atores (usuários da Internet). Representam processos dinâmicos em conseqüência dos processos de interação entre esses atores. (RECUERO, 2009).
Folksonomias
Ferramentas de classificação, recuperação e compartilhamento da informação, na qual os usuários colaboram livremente na classificação da informação. As “nuvens de tags”, uma das formas de navegar pelas informações classificadas espontaneamente pelos usuários, modificam-se em tempo real, em interação constante entre os usuários e a informação, modificando também a relação de tempo entre a classificação da informação e o seu uso.(CATARINO; BAPTISTA, 2007)
Compartilhamentode vídeos
Usuários da Internet compartilham vídeos criados por outros ou criam seus próprios vídeos e os compartilham livremente. Alguns vídeos bem como alguns autores de vídeos têm se tornado mundialmente acessados sem que haja nenhuma motivação financeira direta. Vários tipos de vídeos têm sido produzidos, desde vídeos humorísticos a vídeos educativos. O Youtube, ferramenta mais popular de compartilhamento de vídeos, tem um grande número de vídeos com aulas expositivas, palestras, demonstração de experiências, entre outros de interesse acadêmico.
Compartilhamento de apresentações / slides
Autores compartilham apresentações e slides de palestras e/ou aulas. O autor define a permissão de uso, cópia ou distribuição.
Leitor de RSS(Really Simple Syndication) Feeds
Agregador de notícias, amplamente utilizado pela comunidade dos blogs, para compartilhar as suas últimas novidades ou textos completos e até mesmo arquivos multimídia. (WIKIPEDIA, 2009).
Serviços demicroblogs
A primeira ferramenta de microblog e, ainda, a mais popular é o Twitter. Foi criado inicialmente com a pergunta: “O que você está fazendo?” para que cada usuário respondesse, compartilhando com pessoas que o acompanham, ao mesmo tempo em que receberia curtas mensagens das pessoas que optasse por acompanhar (seguidos e seguidores). Entretanto, os usuários descobriram outras funções e criaram aplicativos para serem usados em conjunto com o Twitter, como programas que condensam os endereçosweb em poucos caracteres. Com isso, a ferramenta passou a ser utilizada com maior frequência para compartilhar informações por meio dos links. A comunidade acadêmica utiliza a ferramenta, principalmente com a finalidade de compartilhar links de interesse de seu grupo.
Dissertação de mestrado completa compartilhada nesse link ou no slideshare(enquanto não é disponibilizada pela Biblioteca da UFSC)
Como citar:
Galdo, Alessandra. Web 2.0 e colaboração científica: análise do uso científico-acadêmico por docentes de pós-graduação stricto sensu em Ciência da Informação no Brasil. 2010. 154 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)-Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação, Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010.
Sabe quando um artigo (ou uma dissertação, ou uma tese, ou um livro) está bom o suficiente?
Quando solucionamos o problema da pesquisa? Hmmm, mas ainda assim, se pensar bem, ainda há considerações que poderiam ser feitas… E será que aquele dado estatístico está certo? E se eu explorasse mais isso ou aquilo? E aquele novo problema de pesquisa que apareceu? Começo a discuti-lo? Não, não é quando solucionamos o problema da pesquisa que o trabalho termina! É quando sabemos definir uma data limite (ou quando não conseguimos mais olhar aquele trabalho, ou seja, chegamos à saturação do problema).
Sempre há o que melhorar, sempre há artigos novos brotando dos periódicos (e como brotam) que poderiam ser usados na discussão dos resultados, sempre há aquele insight que pinta naquela hora em que você nem estava pensando no assunto, sempre tem aquele palpite ótimo de um amigo brilhante…
Só os artistas plásticos conseguem (podem) trabalhar em uma obra até achar BOA O BASTANTE. Ou repintar a tela toda ou desfazer a escultura e refazer até extrair dela tudo o que tinha a mais….
Como não sou Picasso…
…
Um dia talvez escreva um livro, um romance baseado em Guernica, meu tio Ramón (também retratado ali com toda a dor da guerra civil espanhola) e minha tia Maruja que esperou por 10 anos que ele deixasse a prisão, apesar de Franco jamais ter anistiado nenhum preso político. Mas meu tio saiu! Saiu às custa da família vender terras e gado para subornar alguém (que nunca se sabera quem era).
E meu tio deixou a prisão para viver como clandestino por 18 lindos anos ao lado da mulher que o esperou 10 anos.
Montaram um negócio no nome de um amigo e sócio porque ele viveu o resto da vida como clandestino. Morreu com pouco mais de cinquenta anos por causa da saúde debilitada pelos anos de prisão. Mas, antes disso trataram de ser felizes! Tiveram dois filhos, meus primos Jose e Pablo que hoje tem filhos e dão continuidade à história daquele aviador treinado na URSS para pilotar um Tupolev e lutar contra Franco.
Meu tio Ramón (que eu só conseguia chamar de “jamón”) era um dos “rojos”, mas para mim era o cara mais divertido e engraçado do mundo, dono do “perro que habla”, mas que não hablava na minha frente por que era um perro tímido. Meu tio tinha sempre uma piada na ponta da língua. Principalmente contra o catolicismo, para pegar no pé da minha avó super católica, que igualmente respondia com humor inteligente. Naquela casa até Deus devia achar graça dos embates e brincadeiras em torno de sua figura. Pra quem não sabe, a religião está nas origens da guerra civil na Espanha. Se tornou uma questão ideológica, mais do que de fé.
Voltando à Guernica, um pouco da história da minha mãe também está retratada ali. Ela nasceu em 1936 no Brasil, durante uma viagem dos meus avós espanhóis que deveria durar um ano. Meu avô era químico perfumista e estava aqui para montar uma fábrica da Mirurgia. Quando estourou a guerra civil, meu avô se viu na obrigação de retornar à Espanha, levando minha mãe com menos de um ano de idade.
Ela só voltou ao Brasil mais de 20 anos depois quando conheceu meu pai, um brasileiro a trabalho em Buenos Aires, onde minha mãe foi viver quando meu avô se mudou para lá para montar mais uma fábrica na América Latina, dessa vez da Dana.
Não, meu avô não era industrial nem herdeiro de fábricas. Era um perfumista, intelectual e um cara que sabia viver (sim, um bon vivant). Amigo de seus patrões ele era o cara de confiança para andar pelo mudo e fazer essas fábricas “virarem”, até ser mandado para outro canto do mundo cuidar de outra fábrica.
Numa dessas estava na Holanda, quando as tropas de Hitler invadiram aquele país neutro na guerra. Mas Hitler lá dava bola pra isso? Um ano na Holanda sem conseguir voltar pra Espanha nem mandar notícias… Voltou doente num daqueles trens que aparecem no filme “A lista de Schindler”. Perfeitamente retratados segundo minha mãe que lembra quando ainda menina ia carregada pela minha avó esperar os trens na esperança de que meu avô estivesse em um deles.
Mas não foram só histórias tristes, ao contrário. Porque os espanhóis (pelo menos na minha cabeça) são ensolarados, sabem viver, são donos de um humor inteligente e otimista. Se os espanhóis não são assim, minha família é.
Enfim, um dia talvez escreva um livro, mas antes tenho que terminar a dissertação, a tese, o pós doc… Como viverei muitos anos, chegará o dia do livro, um romance histórico. E farei muita pesquisa histórica para escrevê-lo… Hmmm… Pesquisa de novo?
A autora desse blog está em imersão na pesquisa de mestrado. Passos finais e prioridades rígidas…. It means, prioridade 1: pesquisa; prioridade 2: pesquisa; prioridade 3: pesquisa.
Hoje, o Carlos Nepomuceno compartilhou via twitter, matéria do Wall Street Journal, abordando a colaboração científica via Web, tema da minha pesquisa.
Me desculpo pelo post “copy-paste” (pelas razões já expostas), mas achei interessante compartilhar, mesmo sem os meus devidos comentários.
Também me desculpo por não ter tempo de verter o texto para o portugês. Esse é um blog “brasileirinho” com muita honra, assim, dou preferência ao nosso idioma, mas dessa vez vamos no original…
SCIENCE JOURNAL NOVEMBER 23, 2009More Scientists Treat Experiments as a Team SportMassive Collider, a Global Collaboration, Has a Bumpy Start; but Sometimes the Work of Crowds Yields Wisdom
By ROBERT LEE HOTZ
If all goes well, researchers Friday may power up the Large Hadron Collider — a $6 billion particle accelerator near Geneva. The atom smasher is so large that a brief status report lists 2,900 authors, so complex that scientists in 34 countries have readied 100,000 computers to process its data, and so fragile that a bird dropping a bread crust can short-circuit its power supply — as occurred earlier this month.
Far from trouble-free, the proton accelerator is resuming operations after a catastrophic breakdown in 2008 that triggered a year of repairs and recriminations. Its large research teams operate on such an elaborate scale that project management has become one of science’s biggest challenges.
Around the world, scientists are cutting across boundaries of place, organization and technical specialty to conduct ever more ambitious experiments. Inspired by such cooperative enterprises as Linux and Wikipedia, they are encouraging creative collaborations through networks of blogs, wikis, shared databases and crowd-sourcing.
Once a mostly solitary endeavor, science in the 21st century has become a team sport. Research collaborations are larger, more common, more widely cited and more influential than ever, management studies show.Measured by the number of authors on a published paper, research teams have grown steadily in size and number every year since World War II. Leia o resto deste post »
Desde a era industrial a técnica impõe um modo de viver. “A vigilância administrativa do trabalho intensivo na linha de montagem combina-se com o enquadramento ideológico da vida privada”, nas palavras de Mattelart (2007, p. 43).
Hoje, na era digital, a tecnologia continua modificando a sociedade, bem como nossa vida privada, ainda bem que de forma absolutamente diferente da era industrial (em algumas sociedades, diga-se de passagem). Se você está lendo um blog, não preciso dar exemplos, você conhece inúmeros.
Para alguns pensadores, como o filósofo Jacques Ellul, desde a era moderna, a técnica é o entorno no qual acontecem todos os fenômenos sociais. É mais do que dizer que a economia, a política, a cultura são influenciadas ou modificadas pela técnica. Estão situadas na técnica. O entorno do homem era a natureza e passa a ser a técnica.
Não só os fenômenos sociais estão inseridos na tecnologia, mas nosso modo de perceber a realidade.
Don Ihde (1990) analisa que a percepção que temos da realidade é afetada pela tecnologia. O filósofo reflete que tecnologias como o telescópio, as lentes e mesmo uma simples janela, modificam nossa percepção do mundo, do céu, das estrelas, da distância.
“Adão e Galileu”, Don Ihde, 1990. Parcialmente transcrito (tradução livre)
Imaginemos que retornamos ao Novo Eden e ao Novo Adão pré-tecnológico. O que o nosso Adão nu veria com seus olhos nus ao fitar o céu noturno?
[...] Diferentemente da percepção do céu por Adão, nossas percepções não são despidas, mas mediadas. Vemos através de meios óticos, ondas de rádio, espectrográficos, e outras visões mediadas por artefatos tecnológicos. Ao mesmo tempo em que há uma grande distância entre a visão nua do céu estrelado e a percepção dos céus na astronomia contemporânea, a distância por si só é mediada através das nossas tecnologias sensoriais. Isso é o que nos distancia do nosso Adão mítico.”
Telescópio de Galileu
E como já adquirimos a experiência tecnológica, mesmo olhando o céu a olhos nus, jamais teremos a percepção inocente, livre do conhecimento adquirido que nos faz ver as estrelas muito mais longe do que poderiam perceber nossos ancestrais ou nosso Adão nu observando o céu com seus olhos nus.
Nesse sentido, a tecnologia já modificou nossa percepção da realidade, não há como voltar a enxergar como nossos ancestrais. E sobre os valores humanos?
Jacques Ellul alega que “o estado da mente do homem atual está completamente dominado por valores técnicos”. Sim, você, usuário da Web sabe disso. Mas e aí? Problema, solução, ambos?
Ellul propõe que comecemos a pensar pelos falsos problemas, para depois partir para os problemas reais, segundo sua concepção.
ÉTICA E TECNOLOGIA NEUTRALIDADE (OU NÃO) DA TECNOLOGIA
O tema original desse blog trata da Web 2.0 na comunicação científica, ou seja, na comunicação entre pares (cientistas, pesquisadores) e na publicação de pesquisas (periódicos científicos).
Está acontecendo na blogosfera algo muito interessante. Cientistas vêm explicando e discutindo ciência com a sociedade, por meio de blogs com o uso de de textos, espaços para debates, vídeos, enfim todas essas ferramentas que caracterizam a Web 2.0. Esses cientistas explicam Ciência e abrem o debate para além do ambiente acadêmico. O II EWCLiPo reuniu em Arraial do Cabo, entre 25 e 27 de setembro, cientistas de diversas áreas, em especial das ciências exatas e naturais, além de jornalistas, para debater a blogosfera científica. Um pouco sobre o encontro. no semciencia, blog do Prof. Osame Kinouchi.
De qualquer forma, estamos tratando de ciência e de tecnologia (neste caso, a Web), interatuantes desde a revolução científica. Uma influencia a outra. Um caso exemplar é o impacto do telescópio (uma tecnologia) para a astronomia (uma ciência).
Bunge (1996, p. 40) explica que a tecnologia é “fonte de conhecimentos novos” e sobre a relação entre ciência e tecnologia afirma que “a tecnologia moderna se nutre da ciência, e a ciência moderna depende da tecnologia“.
Por essa razão, me interessa pesquisar a relação entre ciência e tecnologia. Como consequência, me interessei em cursar uma disciplina de Filosofia da Ciência e posteriormente, Filosofia da Tecnologia.
Assim, inauguro alguns posts sobre FILOSOFIA DA TECNOLOGIA.